segunda-feira, 28 de maio de 2012

"De encontro com a Ilusão"



Caro leitor, havia um casal de amigos meus que certa vez apaixonaram-se, mutuamente.
Ele, homem casto, era o virginiano escarrado. Ela, escorpiana - um tanto quanto bipolar.
Vistos de longe, eram daqueles protagonistas dramalhões de novela mexicana, que amavam-se (sem precaução) de uma só vez.
As intempéries da vida fizeram com que se separassem - dolorosíssimamente, e não depois de inúmeras tentativas de tentar levar o relacionamento avante. Ás vezes, encontrava-os (separadamente, é claro) os meus amigos: ela exageradamente maquilada, ele mais mal vestido que nunca antes.
Que pena - eu pensava.
Eis que, de tempos pra cá, idos anos do término do famigerado namoro, cada vez que esbarrava-os, pareciam-me mais gordos. Sim - gordinhos e inchados, cabendo-se mal nas fotos e nas roupas.
Na verdade a situação era tal, que um dia ela mesma, minha amiga antes tão vaidosa, segredou-me, patusca, que havia algo de errado... - Amigo! Tantos quilos sobrando lá e cá nos impedem de jogarmos o velho jogo da auto-afirmação entre "ex": o de querer provar-se estar um melhor do que outro.
Para não repreendê-la, ri - com pena da constatação de que nem eu e nem ela podíamos fazer algo a respeito.
Assim seguiram, cada um com seu caminho. Ele de casto passou a castíssimo. Ela tornou-se depressiva, fingindo esporadicamente, amar a um ou outro músico que lhe apetecia.
Por que?! Porque eram mui diferentes, talvez. Não...? O que se sabe é que separados eram tão medíocres, se comparados ao casal de outrora.
E antes que crônica vire narração, registro aqui, desesperançoso leitor - o (meu) desejo de que acaso tiver você um grande amor, não desperdiçe, como erroneamente fizeram aquele velho casal de amigos meus - valiosas noites no motel, ídas ao cinema, beijos enamorados... essas volúpias todas, tão raras nos grandes amores de hoje em dia.

Por: Natália Aline de Andrade

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A dualidade entre o músico e o poeta

"Yesterday

All my troubles seemed so far away/
Now it looks as trought they are here to stay/
Oh, I believe in yesterday"
John Lennon, Paul MacCartney.

Saúdo á todos os que tentaram espremer nesta caixa, esperança, de estabelecer uma conversa com alguém, efetivamente.

O músico
Amava à todas as meninas como se fossem notas,
Executadas
No instrumento de seu ser, habilmente dedilhadas.
(Nas) Tardes de verão, costelas banais bronzeadas
Denotam sua febril insistência de tornar coisas sérias, efemeridades banalizadas.
O músico
Tinha um órgão pulsante, vital (e)
Cortava-me com a benevolência daquele é mal,
Ah, essa sua mania de ter nos dedos a intensidade fatal...
Ritmo, swingue, rock'n'roll, fuck them all!

O poeta
Ah, poeta! De que me adianta...
Beber tuas palavras como se fossem fanta,
Se a verdade que ditas não te serve de mantra!
Lutando dentro de ti há uma devassa e uma santa,
Para evitar que a tragédia de ti mesmo não vire fábula que encanta.
O poeta se cobre de vida, como se fosse manta
Para a noite fria de nuances insanas que é alma humana: ex-semente, agora viva planta.
Planta!
Dentro do vazio, vacuidade.
Dentro do animal instinto, necessidade.
Dentro do já tão fútil, plasticidade.
Dentro da dúvida, mais faculdade.

Saúdo e aviso aos encarregados de avisar:
Ao aviso de si mesmo (imprescindivelmente) não deixe de prestar atenção.
Nunca misture o músico e o poeta na mesma equação,
Pois enfim o dilema obterá solução:
Se coração é balde d'água furado, sentimentos transbordam, transformando-se em algo desperdiçado.

Besteira enxergar com romanticidade a bestialidade do errado - seríssimo
O timbre da voz que me acalma é - gravíssimo
SeRVentia qualifica aquilo que é - utilíssimo
Verborrágico versus Mudo
Beleza versus Conteúdo
Nada versus Tudo
Nunca precisei de ajuda:
(afinal)
Gosto de poesia, e também...  da melodia.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

LABIRINTO

Para ouvir ao som de


http://migre.me/5pIgs



Hey joEvem, acaso estás perdido?

Aonde vais com essa espada embainhada nas mãos?

"Vou matar o Minotauro, pela glória de meu pai (e) em nome do sangue derramado de meus irmãos"

Mate o monstro meio-humano,

Que em caráter profano,

Degustou quatorze por vez.

"Vou-me com sua benção, meu pai, e prometo-lhe alçar bandeira branca em sinal de miha vitória"



Hey joEvem, não vá esquecer...

Primeiro (um) cigarro, sem camisinha, mais (um) outro gole talvez, o que dessa vez?

Cheira à espírito adolescente seu perfume perfume adocicado, menina.

Ai que náusea! Desbaratina, se lança em mim, língua!

Você prometeu...

"Ariadne, não há mais bela, ofereceu-me linha mágica para guiar-me pelo caminho. Saindo do labirinto, meu coração vira dela e á ela vou encontrar..."



Hey joEvem, pegue sua Ariadne frustrada e levante-a do chão,

Hemoglobina não dissolve na água, não.

Você atirou na sua senhora. Ops! Ela é só uma menina...

Corta os pulsos ou os cabelos?

Estuprada. Aleatória. Esquecida. No meio do caminho de tanta ilusão.

"E como num espelho, o vi e encarei-o pela primeira vez: Sem titubear, num só golpe de misericórdia apresento-o desfigurado. Dois chifres, inanimados. Eu, enfim, senhor de mim. Amem-me! Coroem-me! Glorifiquem-me!"



Hey joEvem, não chegue atrasado para a celebração:

Está em aberto (open bar) seu caixão.

Suor não é de academia.

Sujeito homem não é de oração.

Morto. Vivo. Morto. Vivo.

Morto, vivo.



Quando é que te orientarás, e a tua geração, do uno sentido único dessa vida sem sentido?

Orna-te! Que o sistema é sistemático,

E o "navio" amarelo parte ao longe no piloto-automático.

Salve-se da desgraça de seu pai.

Vindo te buscar, lentamente.



Não adianta mais se lamentar

Dessa desgraça bruta animal

Nem vir com essa atitude de orar

Pois isso não resolve o problema, não!

Muitos outros camburões já navegaram nessas ondas

Nessas ondas!

Nessas ondas de Leucócitos

Derramadas de seus próximos

E eles não voltarão

Nem por navio negreiro

amarelo,

português,

africano ou brasileiro



Quem aqui neste mundo age como se fossem reais o Chech e Chong

Jamais poderão chegar tão longe

Mas agora orgulhe-se

De fazer parte da mesma mediocridade exacerbada, desconjurada, só pra evitar que seja excomungado

Voce esqueceu todas as promessas?

mas eu te lembro, te relembro, e te julgo, novamente pergunto: - Quantos amigos voce já perdeu?

Então por que antes de tudo voce não resolveu?

Este problema não é meu, independente do ato, honestidade ou sacrifício, o problema agora é seu.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Natália: caindo como luva

Sou matéria, composição, para o enredo perfeito
De uma cena de destruição:
Eu, caindo como luva.

Fazendo de meninos, homenzinhos
Enquanto me desfaço:
Eu, caindo como luva.

(Há) Meu sangue imundo escorrendo pelo desfiladeiro
Sirva-se deste banquete vampiresco de péssima qualidade:
Eu, caindo como luva.

Dualidade, (entre) Doçura, (e) Devassidão
Um tripé fincado em raízes d'amor.
Outrora fui consagrada á Deus, Nosso Senhor:
Eu, caindo como luva.

Minha inocência foi romanticamente estuprada
E agora utilizo á ti - métodos banais...
Para compor relacionamentos estritamente profissionais:
Eu, caindo como luva.

Dizem ser doce o veneno do escorpião
Que te importa? Torpor, tesão...
"Te amo" (em cada parte), e á prestação:
Eu, caindo como luva.


(Meus) Maus atos - inconsequentes - deixam reticências.
Todavia, quando virares as costas definitivamente,
Seu pai te dirá do bom e velho Renato Russo:
"Ele escreveu esta música para sua amiga...":
Eu, caindo como luva.

terça-feira, 5 de julho de 2011

TOP 5

(Entre as 5 (cinco) coisas mais importantes da minha vida, talvez você fosse a primeira; e também "talvez" não seja mais nenhuma)

Primeiro Lugar
O mérito ululante do que é diabólico em mim,
Jamais herdará as entranhas que herdei de Deus.

Segundo Lugar
O formidável elo entre avós e neto,
O sêmem é semente que faz do homem, Pai.
Um seio de mãe,
Semelhanças entre irmãos...
Nada mais primordial que nossa família.

Terceiro Lugar
Dois átomos de hidrogênio mais um átomo de oxigênio
Não matam a sede que me mantêm vivo
Mesmo sangrando, não há perigo.
Nada mais humano
Do que o asqueroso e desumano fato
De sentir-se  e ser "Instinto" - inato.

Quarto Lugar
Estou em tudo que pulsa, mas não me chame de coração,
Mostro seu medo, segredo, desejo ou tesão
Pois de tão divino o prório Deus amaldiçoa-me
Prazer, Amor, sou chama.

Quinto Lugar
1 DEUS, 2 FAMÍLIA, 3 INSTINTO, 4 AMOR, 5 BIOGRAFIA:
O que mais importa nem é tão importante, afinal,
Uma guerra de titãs travada dentro de mim
Denota que somente pequena parte
De tanto maniqueísmo e afins
Me faz realmente matéria, Biografia - inconstante assim.

domingo, 19 de junho de 2011

Minha Terra: Fenix Favela

Na terra onde eu nasci
"Pistolas" penetram orifícios dolorosamente,
Dando a vida ou concedendo a morte.
(Pois)

Na terra onde eu nasci,
Sou filho do indivíduo que matou o pai do meu melhor amigo,
E assim mesmo faço-me dele irmão, por não termos nem pai, nem mãe nem oração.
(Pois)

Na terra onde eu nasci,
A comida fria da marmita se mistura
Com o suor do povo e da labuta
E a indigestão digere que o mundo talvez tenha esse sabor imundo.
(Pois)

Na terra onde eu nasci
Eu queria estudar mas não tinha como pagar
Eu queria comer mas não tinha como comprar
(Pois)

Na terra onde eu nasci
Não há Páscoa, aniversário ou Natal,
Temos somente a fé como matriz primordial.
(Pois)

Na terra onde eu nasci
Não há valia em atravessar o antártico, desbravar o ártico, vencer o atlântico, passando pelo índico, para enfim morrer de teoria no pacífico.
(Pois)

Na terra onde eu nasci
A multiplicação de gente
Corre solta tão aguda feito água de nascente.
(Pois)

Na terra onde eu nasci
Exercer potencialidades
Significa resistir brava e silenciosamente: uma cruz, outra chaga, novas maldades.
(Pois)

Na terra onde eu nasci
A tristeza fútil mancha de sangue as lágrimas
Aglomeradas de pseudos
Do Sr. Satisfeito.
(Pois)

(Bem aqui) Na terra onde eu nasci
Sonho com o dia em que te levantas da cama acolchoada,
E como eu viva pela empreitada que é matar dia-a-dia essa charada:
A esperança é verde, como um campinho fresco que chamo de meu,
Neste campinho há uma carta que grita: Vem buscar-me que ainda sou teu.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

"Mai lírol piz óve révem."

Achei-me sentada na mesa de bar aquela noite, meio tonta, pensando e repensando em todas as circunstâncias que transformaram minha história de amor em quase nada. Circunstâncias estas, que eram as mesmas justificáveis de tantos copos (vazios) de gim que me rodeavam, ali . Ébria vida!
Refletia acerca das fórmulas que deram errado até mesmo naquele nosso amor dado como tão certo. E, lembrei-me, da ocasião na qual minha mãe dissertava sobre um caso triste de abuso sexual de menores, abusados estes pelo próprio pai. Mamãe dizia: "Nestes casos é difícil para a mulher aceitar que seu cônjuge tenha feito tal "coisa", após anos de entrega sentimental..." - entrega sentimental - instantaneamente questionei-me: Há como medir o quanto me entreguei?
Conclui que nada disto importava, afinal. Adorável psicose esta minha vivida: sentimentos de pena mui individuais, porém oriundos de uma certeza: alguém no mundo, neste momento, passa pelo mesmo. Foi então que decidi dar uma trégua - iria para casa naquele instante e queimaria todos os vestígios d'amor que encontrasse - fim.
Ao chegar em casa, dirigi-me sem hesitação á gaveta, onde enclausurada, minha caixa de ex-esperançosas memórias gritava clamando por liberdade. Apanhei a caixa, as rosas, roupa íntima utilizada, além da própria aliança. Rapidamente estava á caminho de meu refúgio - um pequeno e esverdeado campinho, estrategicamente localizado como meio da rotatória que liga as avenidas Treze de Maio e Presidente Kennedy, com a avenida Maria de Jesus Condeixa. Lá, eu costumada correr, todos os dias.
Meus pés tocavam a grama verde, recém cortada, afiada. Ao redor, o barulho dos carros que passavam em volta da rotatória, buzinando, apenas compunha o cenário. Eu, memórias reunidas e uma caixinha de fósforo habitávamos, impassíveis. Caminhava quieta, até que avistei um agrupado de minúsculos coqueiros. Sentei-me abaixo deles enquanto relia palavras que ele dantes me escrevera. Formigas picavam-me, tudo bem. Deparei-me com estes versos: "Quando todas as luzes estiverem apagadas e nada mais estiver ao seu redor lembre-se: Eu estou aqui, e nenhum mal lhe sucederá." Lia a oração, em lágrimas, e apesar de lunática, fui insensível ao não constatar a presença da Lua, que me observava, compadecida...
Eu acendia o palito de fósforo raspando-o na caixinha, o que trazia á tona a chama acesa, (virgem sedenta de fogo) que por sua vez, executava a função de lutar contra o ar úmido da atmosfera da madrugada, transformando assim, em cinzas, o que de tão ultrapassado já era cinza, talvez. O firmamento horrível, parecia um abismo azul e escuro, onde logo abaixo a pequena fogueira trepidava, alimentando-se voraz de cartas de amor, rosas e afins. Subia espessa fumaça negra diretamente em meu rosto pálido de dor, e o cheiro que exalava, golpeava meu ser definitivamente. Cada fio de cabelo, pelo, escabelo, recebia naquele momento a mórbita mensagem de morte que a língua de fogo prostada á minha frente, transmitia. Morreu na noite estrelada, queimado, agonizante... Um amor.